Posso perder a salvação?
- ESM - Evangelho Sem Muros

- há 2 dias
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Por Marcos Valério dos Santos Araújo.
Quando estava em minha antiga instituição religiosa, acreditava que sim, mas não é isso que a bíblia nos ensina. A pergunta sobre se um salvo pode perder a salvação não é apenas uma questão doutrinária periférica, ela toca diretamente o caráter de Deus e o coração do evangelho. Quando as Escrituras afirmam que a salvação é obra divina, iniciada, sustentada e consumada pelo próprio Senhor, estão revelando que o destino eterno dos redimidos repousa inteiramente na fidelidade, na força e na vontade imutável de Deus. Não se trata apenas de segurança emocional, mas de coerência com quem Deus é. Se Ele escolheu antes da fundação do mundo, se chamou com poder irresistível e justificou com base na obra de Cristo, então a glorificação final não é uma possibilidade; é uma certeza enraizada no decreto eterno do Deus que não muda, não falha e não perde aqueles que amou.
Agora, pois, já não existe nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, livrou você da lei do pecado e da morte. Romanos 8:1,2
A ideia de que um verdadeiro crente poderia perder a salvação pressupõe um Deus que volta atrás em Suas promessas, que revisa Seus decretos ou que é surpreendido pela fragilidade humana. Isso contraria frontalmente a imutabilidade divina. O Senhor que declara: “Eu, o Senhor, não mudo” é o mesmo que garante completar a obra que iniciou. Assim, admitir a perda da salvação seria afirmar que Deus iniciou algo que talvez não conclua, e isso atinge o cerne de sua fidelidade. Do mesmo modo, um “salvo que se perde” violaria a onisciência divina, como se Deus elegesse alguém sem saber que tal pessoa “cairia”, ou como se tivesse que ajustar Seus planos em função da oscilação do pecador. A salvação deixaria de ser graça soberana e se tornaria um contrato condicionado ao desempenho humano.
Nele também vocês, depois que ouviram a palavra da verdade, o evangelho da salvação, tendo nele também crido, receberam o selo do Espírito Santo da promessa. O Espírito é o penhor da nossa herança, até o resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória. Efésios 1:13,14
Também está em jogo a própria onipotência de Deus. Se alguém que foi regenerado, justificado e unido a Cristo pudesse ser arrancado desta união, então haveria algo mais forte que o poder do Pai e do Filho. Mas Jesus declara que suas ovelhas “jamais perecerão” e que ninguém pode arrebatá-las das mãos divinas. A perseverança dos santos, portanto, não é um ideal humano, mas o desdobramento inevitável da graça que preserva. Os salvos perseveram porque são preservados; permanecem porque são guardados pelo poder de Deus, e não pela consistência de sua própria vontade. A fé verdadeira pode ser atacada, provada e temporariamente enfraquecida, mas jamais destruída, porque sua origem está no Espírito que a concedeu.
Textos como 2 Pedro 2:2, Hebreus 6 e outras advertências não falam de regenerados que perderam a salvação, mas de pessoas que provaram da luz do evangelho, conviveram com o povo da aliança, experimentaram benefícios espirituais externos, mas nunca foram transformadas de fato. Caminharam entre os santos, mas não eram santos; participaram da comunidade, mas não da vida de Cristo. Como Balaão, Judas e tantos que receberam dons, ouviram a verdade e até exerceram influência espiritual, mas permaneceram amando as trevas. Quando rejeitam o evangelho, não estão perdendo algo que tinham, mas apenas revelando que nunca pertenceram ao Senhor. A apostasia não destrói a fé verdadeira; apenas expõe a falsa.
Que diremos, então, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, mas por todos nós o entregou, será que não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Romanos 8:31-33
Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. Romanos 8:37-39
Negar a segurança eterna dos salvos é, no fim das contas, minar o próprio evangelho. É atribuir ao homem aquilo que Deus reivindica para Si: a manutenção e consumação da obra da salvação. A fé que salva é a fé que persevera porque é sustentada por Deus. A graça que regenera é a mesma que preserva. A mão que chamou é a mesma que guarda. E aquele que morreu, ressuscitou e intercede pelos seus jamais permitirá que um só de seus remidos se perca. Por isso, afirmamos com confiança, não por presunção humana, mas por fidelidade divina: nenhum filho adotado será devolvido, nenhuma ovelha comprada será abandonada, nenhum eleito será arrancado das mãos daquele que é imutável, onisciente, onipotente e fiel. A segurança eterna é a própria assinatura de Deus sobre a vida dos salvos e Ele não revoga o que decreta.




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