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CCB - Crença sobre a Trindade

  • Foto do escritor: Pedro Graton
    Pedro Graton
  • 22 de jan.
  • 4 min de leitura

A Trindade é uma doutrina central e indispensável para o cristianismo, pois, ao falarmos sobre a Trindade, estamos tratando da própria doutrina de Deus, ou seja, aquilo que a Bíblia revela sobre quem Ele é. Qualquer desvio nesse ensino compromete toda a teologia, corrompendo a compreensão correta de Sua natureza e de Sua obra.

Nas Escrituras, Deus se revela como o único e verdadeiro Deus, que subsiste eternamente em três pessoas distintas: o Pai, o Filho (a Palavra) e o Espírito Santo. Essas três pessoas compartilham a mesma essência divina, sendo iguais em glória, poder e eternidade, mas distintas em personalidade.

Desde os primeiros séculos, a Igreja de Cristo e seus líderes se empenharam em afirmar e defender essa verdade revelada, rejeitando com firmeza todo ensino que a distorcesse. Por isso, movimentos ou comunidades que negam a Trindade são, historicamente, considerados seitas, pois se afastam da fé cristã ortodoxa e se desviam da verdade bíblica, propagando um entendimento errado sobre Deus e, consequentemente, comprometendo toda a teologia.

Quando falamos da Congregação Cristã no Brasil (CCB), não encontramos uma negação explícita da doutrina da Trindade, como ocorre com as Testemunhas de Jeová ou os Mórmons. No entanto, há registros de ensinos orais e de tópicos antigos — nunca oficialmente revogados — que, além de abrirem brechas para interpretações equivocadas, ao longo da história acabaram comprometendo o ensino da instituição e contribuindo para erros significativos.

O principal problema no ensino da CCB sobre Deus manifesta-se em sua fórmula batismal. Em vez de simplesmente batizarem “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, conforme a ordem direta de Cristo em Mateus 28:19, eles acrescentam a frase “Em nome de Jesus Cristo” no início, resultando em: “Em nome de Jesus Cristo, te batizo em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”.

Essa prática gera confusão, pois o Filho já é Jesus Cristo, e tal repetição transmite a ideia equivocada de que “Jesus Cristo” é uma designação distinta do Filho, afetando a clareza da fórmula trinitária estabelecida nas Escrituras.

Esse erro, além de criar uma separação indevida entre o Senhor Jesus e o Filho, torna a CCB ainda mais exclusivista. Isso porque a instituição ensina que apenas o batismo realizado segundo a sua fórmula específica é válido, exigindo que qualquer pessoa batizada de forma tradicional apenas “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” , seja rebatizada. Para eles, se a fórmula não for exatamente a utilizada pela CCB, o batismo é considerado inválido.

O Tópico de 1961 expõe claramente a doutrina batismal da CCB:

“Quando se vai batizar, sendo o servo de Deus um mandado do Senhor, para cumprir o mandamento deve usar as palavras: ‘Em Nome do Senhor Jesus te batizo Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’, tudo conforme se encontra em S. Mateus XXVIII, vs. 19 e Atos II, vs. 38. Pois o sacramento que está cumprindo é um mandamento do Senhor Jesus. Sempre temos considerado que todos sejam batizados segundo o Senhor nos tem feito claro desde o princípio desta Obra. O Senhor nos guiou em que só sejam considerados nossos irmãos aqueles que se batizam entre nós. Na obra de Deus não temos parentes nem amigos, todos somos iguais e quem não está na doutrina não é considerado como irmão nem tem liberdade nos cultos.”

Além da fórmula batismal, houve também uma alteração significativa no 2º ponto de doutrina, que ocorreu em 2013, na mudança do hinário 4 da CCB para o hinário 5. Antes, ele dizia:

Nós cremos que há um só Deus vivente e verdadeiro, eterno e de infinito poder, Criador de todas as coisas, em cuja unidade há três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. (Efésios, 4:6; Mateus, 28:19; I João, 5:7)

Hoje, o texto é:

Nós cremos que há um só Deus vivente e verdadeiro, eterno e de infinito poder, Criador de todas as coisas, em cuja unidade estão o Pai, o Filho e o Espírito Santo. (Efésios, 4:6; Mateus, 28:19; I João, 5:7).

Essa mudança retirou a frase “há três pessoas distintas”, o que abre margem para uma leitura unicista, já que o texto passou a dizer apenas que, na unidade de Deus, “estão” o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Isso, somado à prática observada nos últimos anos, onde muitos unicistas têm se manifestado abertamente na CCB, inclusive ocupando cargos de liderança como anciãos e cooperadores, sem sofrer qualquer correção, enfraquece a possibilidade de se afirmar que a CCB ainda seja oficialmente trinitária.

Mesmo assim, não é possível declarar que a CCB seja oficialmente  unicista. O que se vê, na prática, é uma instituição que afirma uma coisa no papel, mas vive outra realidade. Na experiência do dia a dia, a doutrina predominante se aproxima mais do subordinacionismo: Jesus Cristo e o Espírito Santo são tratados como inferiores ao Pai, sendo este considerado o único Deus verdadeiro.

Na vivência prática, glorificar a Jesus de forma mais enfática durante o culto, ou repetir muitas vezes Seu nome, é visto com estranhamento, chegando a ser associado a “coisas de seitas”. Quando se fala em “temer a Deus”, “amar a Deus” ou “obedecer a Deus”, geralmente o pensamento é voltado exclusivamente ao Pai.

O Espírito Santo, por sua vez, também é diminuído. Além de parecer subordinado ao Pai, frequentemente é apresentado como subordinado aos próprios homens, pois quase tudo é atribuído a uma “revelação” Dele, mas em um tom que sugere que Ele está sujeito às decisões e interpretações humanas, e não como Deus eterno e pessoal. Já Jesus, na maioria das vezes, não é apresentado como o Deus eterno, mas apenas como o Filho e um exemplo moral a ser seguido.

A grande maioria dos membros da CCB não sabe explicar ou defender a doutrina da Trindade. Se perguntados, muitos ficam sem resposta, pois a igreja não ensina essa verdade de forma clara e consistente, e raramente ela é pregada nos cultos. Diante disso, somando a fórmula batismal peculiar, a alteração do 2º ponto de doutrina e a prática observada, chega-se à conclusão de que a CCB não é oficialmente trinitária. No papel, ela tende ao unicismo; em seu ensino oral, manifesta um subordinacionismo.


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