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Nem toda paz vem de Deus: conforto, verdade e o critério bíblico para pertencer a uma igreja

  • Foto do escritor: ESM - Evangelho Sem Muros
    ESM - Evangelho Sem Muros
  • há 5 dias
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 5 dias

por Síntya Lopes


Muitas pessoas permanecem em igrejas onde reconhecem que existem problemas. Problemas de ensino, de prática ou de condução espiritual. Ainda assim, continuam. O motivo quase sempre é o mesmo: “eu me sinto bem”, “sinto paz”, “é o lugar onde meu coração descansa”.


Essa decisão, na maioria das vezes, não nasce de rebeldia. Nasce de “ser humano”. Do apego aos vínculos, do medo da ruptura, do conforto do conhecido. E exatamente por isso, ela precisa ser examinada com seriedade, à luz da Escritura Sagrada, e não apenas validada pela experiência pessoal.


A pergunta central não é se é errado buscar paz, mas qual paz estamos buscando e qual é o critério bíblico que orienta essa escolha.


Sentir-se em paz não é o mesmo que estar sendo bem conduzido


A Escritura nunca apresenta o sentimento como critério final de verdade espiritual. Pelo contrário, ela nos alerta que o coração humano é instável e facilmente inclinado àquilo que evita confronto.

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas” (Jr 17:9).

A Bíblia também fala de uma falsa paz, proclamada onde não há verdadeira restauração espiritual.

“Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: ‘Paz, paz’, quando não há paz” (Jr 6:14).

Existe uma paz que nasce da reconciliação com Deus, fruto do Evangelho e da verdade. E existe uma paz construída sobre silêncio, acomodação e ausência de correção. Ambientes onde a Palavra não confronta, onde o ensino não é examinado e onde o erro não é tratado tendem, naturalmente, a se tornar confortáveis. 


Mas conforto não é sinônimo de fidelidade. A verdadeira paz bíblica não nasce da ausência de desconforto, mas da segurança de estar submetido à verdade revelada por Deus.


“Se olhar para o homem, não fica em igreja nenhuma”


Esse é um argumento frequentemente utilizado e, à primeira vista, parece sábio. Afinal, toda igreja é composta por pessoas falhas. Todo líder é humano. Toda comunidade cristã carrega imperfeições. A Escritura reconhece isso.


O problema surge quando falhas humanas são colocadas no mesmo nível que erro doutrinário tolerado, como se fossem a mesma coisa. Uma coisa é um irmão pecar ou falhar. Outra, completamente diferente, é um ensino contrário à Escritura ser repetido, normalizado e não corrigido. A Bíblia não nos chama a ignorar o erro em nome da permanência, mas a examiná-lo.

“Examinai tudo. Retende o bem” (1Ts 5:21).

Quando o erro se torna recorrente e não há correção bíblica, já não se trata de “olhar para o homem”, mas de avaliar a estrutura espiritual que sustenta aquele ensino. O apóstolo Paulo adverte que “um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gl 5:9), mostrando que erro tolerado nunca permanece isolado. Não se trata de buscar uma igreja perfeita, mas uma igreja submetida à autoridade da Palavra.


O mito do “caso isolado”


Outro argumento comum é o de que os problemas são pontuais: “é só aquele ministério”, “é só aquela comunidade”, “em outros lugares não é assim”.


Mas a Escritura não trata erro doutrinário como detalhe local ou irrelevante. Um ensino que circula sem correção não é apenas um problema individual; ele revela ausência de responsabilidade espiritual.


Se é realmente um caso isolado, por que não é corrigido? Se é exceção, por que se repete? Se há liderança, por que não há refutação clara do erro?


A responsabilidade não recai apenas sobre quem ensina, mas também sobre quem permite que o ensino continue. Paulo orienta que a liderança deve ser apta para “exortar segundo a sã doutrina e refutar os que a contradizem” (Tt 1:9). Onde não há correção, há conivência.


O perigo de permanecer apenas porque “me sinto bem”


Permanecer em um lugar apenas porque ele é confortável pode, com o tempo, anestesiar a consciência cristã. A fé deixa de ser examinada, a Escritura deixa de ser fundamento e a tradição passa a ocupar o lugar da Palavra. A igreja, segundo o padrão bíblico, é reconhecida pela perseverança na doutrina bíblica, pelo ensino fiel e pela edificação mediante a verdade.

“Perseveravam na doutrina dos apóstolos” (At 2:42).

Sentir-se bem pode ser consequência de estar em um ambiente saudável, mas pode não ser, e muitas vezes não é. Portanto nunca deve ser o critério principal para permanecer. Quando o critério deixa de ser a Escritura, a fé se torna herdada, não examinada; mantida por hábito, não por convicção.


Quando permanecer é obediência e não acomodação


A Escritura também nos ensina que há momentos em que permanecer é um ato de fidelidade. A igreja não é descartável, nem deve ser abandonada diante de qualquer dificuldade. O Novo Testamento pressupõe conflitos, imaturidades e erros dentro da comunidade cristã e ainda assim chama os crentes à perseverança.


As cartas apostólicas foram escritas para igrejas reais, que precisavam ser corrigidas, ensinadas e exortadas. Em muitos casos, a resposta bíblica ao erro não foi a saída imediata, mas a confrontação amorosa à luz da Palavra.


Permanecer é obediência quando há abertura à correção bíblica, quando o ensino pode ser examinado pelas Escrituras e quando a liderança se submete à autoridade da Palavra de Deus. A unidade cristã nunca é construída à custa da verdade, mas na verdade (1Co 1:10). Esse discernimento não é emocional, mas escriturístico.

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça” (2Tm 3:16–17).

Os bereanos foram elogiados justamente por examinar diariamente as Escrituras para verificar se o ensino que recebiam estava de acordo com a verdade (At 17:11). Permanecer, nesses casos, não é fechar os olhos para o erro, mas caminhar com esperança de correção e crescimento.


No entanto, quando o ensino não pode ser examinado, quando a Escritura não pode confrontar, quando a tradição ocupa o lugar da Palavra, a permanência deixa de ser obediência e se torna acomodação. Sola Scriptura nos lembra que a consciência cristã deve estar cativa à Palavra de Deus, e não a costumes, estruturas ou sentimentos.


Sair nem sempre é rebeldia


Há momentos em que permanecer é fidelidade. Mas há momentos em que sair também é. Sair não significa desprezar pessoas, nem negar a própria história. Às vezes, significa reconhecer que a fidelidade a Cristo exige submissão à verdade, mesmo quando isso custa conforto, vínculos e familiaridade.


A pergunta central nunca foi “onde eu me sinto em paz?”, mas “onde Cristo é fielmente anunciado?”. A verdadeira paz não é a que nos mantém no lugar confortável, mas a que nos sustenta quando escolhemos a verdade.


 
 
 

3 comentários


raianemarlucia16
há 5 dias

Fiquei extremamente maravilhada com tanta verdade, ja tinha este mesmo entendimento so nao sabia que tinha essas fundamentações, parabéns sintia!


Deus abençõe cada dia mais.

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Síntya Lopes
Síntya Lopes
há 4 dias
Respondendo a

Amém! 🙏✨️

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lenilcy_123
há 5 dias

Que leitura abençoada, leve e reconfortante 🙌🏼

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