A Ilusão da Reforma Interna: O Peso da Cumplicidade e a Supremacia de Cristo
- Wesley Ayres

- há 1 dia
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por Wesley Ayres
Se você descobrisse que os alicerces de um prédio estão condenados, você gastaria suas energias tentando reformar o 6º andar ou correria para fora dele? Essa pergunta pode parecer simples e até um pouco boba, mas ilustra com precisão o dilema de muitos que, após conhecerem o verdadeiro Evangelho, permanecem como cooperadores ou anciãos na Congregação Cristã no Brasil (CCB). Eles alimentam a esperança de que, por possuírem alguma autoridade, conseguirão “mudar as coisas por dentro”. Se esse é o seu caso, este artigo é para você.
Qualquer pessoa que conheça minimamente como funciona o sistema da CCB sabe que esse esforço é, na prática, um desafio intransponível. Três pilares sustentam essa impossibilidade: a estrutura inflexível, a responsabilidade ministerial e o mito do remanescente fiel.
Estrutura Inflexível
O modelo de governo da CCB é, em muitos aspectos, parecido ao da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR). Trata-se de uma estrutura rigidamente hierarquizada, onde as decisões administrativas e doutrinárias partem de um centro de poder restrito: as centrais regionais e, em última instância, o conselho de anciãos no Brás, em São Paulo.
Nesse sistema, qualquer tentativa de questionamento ou ajuste bíblico é imediatamente rotulada como "rebeldia contra a guia de Deus". Aqueles que ousam apontar desvios são silenciados com frases feitas: "fique em paz", "deixe nas mãos de Deus", ou são acusados de estarem "na carne" e "presos à letra que mata".
Se a grande maioria dos anciãos locais já possui pouco ou nenhum poder de influência no Brás, a situação de um cooperador é ainda mais limitada. O cooperador é apenas um executor da liturgia local; ele não possui voz nem espaço para alterar a "doutrina oral" que é inculcada sistematicamente no povo. O sistema foi desenhado para se autopreservar, não para ser reformado.
Responsabilidade Ministerial
Em sua segunda epístola, o apóstolo João faz um alerta severo contra aqueles que distorcem a natureza de Cristo, e sua conclusão é taxativa:
"Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras." (2 João 1:9-11)
Se João, conhecido como o "Apóstolo do Amor", foi radical ao ponto de proibir um simples cumprimento a quem distorce a doutrina de Cristo, por que você acredita que é seguro dedicar seu tempo, sua honra e seu ministério para promover uma organização que ensina heterodoxias?
Mesmo que sua pregação pessoal seja irrepreensível, ao ceder o púlpito ou presidir um culto onde você sabe que heresias serão proferidas, você se torna cúmplice. Ao manter o sistema funcionando, você está, nas palavras de João, “tomando parte nas más obras”.
O Mito do Remanescente Fiel
Muitos homens sinceros permanecem na instituição acreditando serem "sentinelas" que protegem o rebanho local do erro. Contudo, a história prova que a CCB neutraliza o crítico antes que ele possa afetar o sistema. O sistema é programado para expelir o "corpo estranho". Com o tempo, a pressão social e o medo de perder o convívio com a "irmandade" acabam silenciando o discernimento. Em nome de uma paz institucional, sacrifica-se a Verdade bíblica. No fim, em vez de mudar a CCB, a CCB é quem mudará você.
O Duro Juízo de Deus
Para aqueles que ainda hesitam em deixar seus cargos, as palavras de Tiago devem ecoar com temor:
"Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo." (Tiago 3:1)
Se você é ancião, entenda: sempre que você batiza alguém, está inserindo essa pessoa em um sistema exclusivista que você mesmo já reconhece como desviado. Isso não é apenas uma questão administrativa; é um peso de consciência espiritual. Se você é cooperador, seu silêncio não é neutro. Sua presença e sua execução da liturgia validam o erro perante os "pequeninos" de Cristo.
A Lealdade que Salva
A verdadeira fidelidade cristã não é medida pela lealdade a um estatuto, a um hinário ou a uma "irmandade" terrena, mas pela fidelidade inegociável à Pessoa de Jesus Cristo. Não há mérito em "afundar com o navio" quando você já sabe que a bússola aponta para o caminho errado.
Sair de uma estrutura que você serviu por anos exige coragem e, acima de tudo, fé de que Cristo é suficiente fora das paredes de uma denominação específica. O ministério mais importante que você pode exercer hoje não é o de reformar o que é irreformável, mas o de dar testemunho da Verdade.
Não permita que o seu cargo seja o que te prende ao erro. Lembre-se: o templo pode ser imponente, mas a Glória de Deus só repousa onde a Verdade é soberana. É hora de decidir se você servirá à instituição ou ao Senhor da Igreja.




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