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O governo de Deus sobre o governo dos homens

Foto do escritor: ESM - Evangelho Sem Muros
ESM - Evangelho Sem Muros
há 22 horas
6 min de leitura

por Marcos Valério

Uma das maiores ilusões do homem moderno é acreditar que a sociedade se organiza sozinha.

Muitos imaginam que governos, leis, tribunais e autoridades são apenas produtos da evolução social ou da vontade popular. As Escrituras ensinam algo muito diferente.


Deus é o Senhor Supremo de toda a terra.


Não apenas da Igreja.Não apenas da vida privada.De toda a criação.


Por isso, os magistrados civis existem porque Deus assim determinou.

“Não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.”Romanos 13:1

Observe o alcance dessa afirmação.


Não diz que apenas as boas autoridades procedem de Deus. Não diz que apenas os governantes piedosos foram instituídos por Ele. Toda autoridade legítima existe porque Deus a permitiu e estabeleceu dentro de sua providência.


A autoridade civil como instrumento de Deus

A Bíblia afirma que Deus constituiu magistrados — governantes — para sua própria glória e para o bem público, armando-os com o poder da espada para proteger os bons e punir os maus.

“Porque os magistrados não são para temor quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal.”Romanos 13:3
“Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada.”Romanos 13:4

A espada representa autoridade real para julgar, punir e preservar a ordem.


Mesmo quando os homens não reconhecem a Deus, acabam organizando a sociedade conforme princípios que refletem sua lei.


Toda cultura condena o assassinato injusto. Toda sociedade pune o roubo. Toda civilização estabelece tribunais. Toda nação reconhece, em alguma medida, conceitos de justiça.


Por quê?


Porque a lei de Deus continua impressa na consciência humana.


Paulo ensina que os gentios:


“Mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência.”Romanos 2:15

Isso torna todos ainda mais indesculpáveis.


Até mesmo quando os homens rejeitam a Palavra de Deus, continuam vivendo em um mundo governado por princípios estabelecidos por Deus.


Mas existe outro lado dessa verdade.


Quando governantes também são instrumentos de juízo


Assim como Deus pode abençoar uma nação com governantes justos, também pode julgá-la, entregando-a a líderes perversos.


O profeta Oséias registra as palavras do Senhor:

“Dei-te um rei na minha ira.”Oséias 13:11

Isso deveria nos fazer refletir seriamente.


Muitas vezes, o povo reclama dos governantes que possui sem perceber que esses governantes também podem refletir os desejos do próprio povo.


Uma sociedade que ama a mentira será governada por mentirosos.


Uma sociedade que ama a corrupção será governada por corruptos.


Uma sociedade que despreza a verdade colherá líderes que desprezam a verdade.


O mesmo princípio aparece no ambiente religioso.


Quando multidões preferem profecias imaginárias à Palavra de Deus, colocam experiências acima das Escrituras e seguem líderes que falam mais de sonhos do que de Cristo, estão apenas recebendo aquilo que seus próprios corações desejam.

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças.”2 Timóteo 4:3

Não são apenas os falsos mestres que serão julgados. Também serão julgados aqueles que preferiram ouvir mentiras.


Isso nos leva a uma questão importante.


Pode um cristão exercer cargos públicos?

A resposta é sim.


Não existe nada nas Escrituras que proíba um cristão de servir como vereador, prefeito, deputado, senador, governador, juiz, militar, policial, ministro ou presidente.


Pelo contrário, a Palavra de Deus elogia magistrados justos:

“Aquele que domina com justiça sobre os homens, que domina no temor de Deus.”2 Samuel 23:3

O chamado para esse tipo de função não deve ser entendido necessariamente como uma voz mística ou uma revelação extraordinária.


Trata-se da providência de Deus conduzindo alguém por meio de dons, oportunidades, capacitação e vocação legítima.


Todavia, ninguém deve imaginar que isso seja fácil.


Talvez nunca tenha sido tão difícil para um cristão ocupar cargos públicos quanto em nossos dias.

Governar segundo a verdade em uma sociedade que ama a mentira exige coragem extraordinária.

Promover justiça em uma cultura que redefine constantemente o que é certo e errado exige firmeza ainda maior.


O magistrado cristão deve buscar a piedade, a justiça e a paz, não segundo seus sentimentos pessoais, mas segundo os princípios da lei moral de Deus.


E quanto à guerra?

Outro tema frequentemente mal compreendido é a questão da guerra.


Alguns afirmam que, após Cristo ensinar a “dar a outra face”, toda guerra se tornou pecaminosa. Mas isso não corresponde ao ensino bíblico.


Dar a outra face refere-se à vingança pessoal.


Cristo está proibindo a retaliação individual. Ele não está abolindo a responsabilidade do Estado de proteger inocentes e conter o mal.


O mesmo Cristo que ensinou a amar os inimigos também inspirou Paulo a escrever:

“Porque ela é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.”Romanos 13:4

Por isso, guerras defensivas e necessárias podem ser moralmente legítimas quando destinadas à preservação da justiça e da ordem.


Igreja e Estado não possuem a mesma função

Ao mesmo tempo, a Bíblia estabelece limites claros para a autoridade civil.


O magistrado não é pastor.O governador não é presbítero.O juiz não é ministro da Palavra.


O Estado não possui autoridade para administrar sacramentos, pregar o Evangelho ou exercer as chaves do Reino dos Céus.


Cristo entregou essas responsabilidades à sua Igreja.


Quando Jesus declarou:

“Dar-te-ei as chaves do reino dos céus.”Mateus 16:19

Ele não estava concedendo aos apóstolos ou aos presbíteros o poder de abrir ou fechar o céu segundo sua própria vontade.


Nenhum pastor pode salvar alguém.


Nenhum presbítero pode condenar alguém.


Nenhum concílio pode alterar o decreto eterno de Deus.


As chaves representam a administração da Palavra, da disciplina e da proclamação do Evangelho, pelos quais Deus chama os seus eleitos.


Da mesma forma, a Igreja não deve governar o Estado, nem o Estado deve governar a Igreja.

Política e religião não são a mesma coisa — mas a fé tem implicações políticas.


É exatamente nesse sentido que política e religião não se confundem.


Isso não significa que a fé não tenha implicações políticas.


Tem. E profundas.


O cristão tem o dever de examinar propostas, leis e candidatos à luz das Escrituras.

Mas como fará isso se não conhece as Escrituras?


Uma igreja que ensina que a Bíblia não deve ser estudada porque “a letra mata”, por exemplo, está produzindo pessoas incapazes de discernir a vontade de Deus até mesmo nas escolhas públicas mais básicas.


Está entregando o rebanho à cegueira.


Cristo advertiu:

“Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco.”Mateus 15:14

Os mestres que promovem essa ignorância prestarão contas mais severamente diante de Deus.


Quando obedecer ao Estado deixa de ser possível

Por outro lado, o magistrado tem o dever de proteger a liberdade legítima da Igreja.


Nenhum governo possui autoridade para obrigar a Igreja a chamar pecado de virtude.


Nenhum governo possui autoridade para obrigar ministros a negar as Escrituras.


Nenhuma lei humana pode revogar aquilo que Deus ordenou.


Quando o Estado exige aquilo que Deus proíbe ou proíbe aquilo que Deus ordena, aplica-se o princípio apostólico:

“Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.”Atos 5:29

Essa questão se torna especialmente relevante em debates contemporâneos envolvendo aborto, redefinições de gênero, casamento e outros temas morais.


A Igreja pode sofrer sanções.Pode ser ridicularizada.Pode ser perseguida.


Mas não pode abandonar a verdade para agradar aos governantes.


Ao mesmo tempo, a Igreja jamais deve perseguir quem discorda dela.


A função do magistrado é proteger todos os cidadãos contra violência, perseguição e injustiça, independentemente de suas crenças.


A verdade não precisa de coerção para prevalecer.


Precisa ser proclamada.


Qual deve ser a postura do cristão diante das autoridades?

Por fim, qual deve ser a postura do cristão diante das autoridades?

A resposta das Escrituras é surpreendentemente simples:

“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens; em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade.”1 Timóteo 2:1–2

Você percebe?


Paulo escreveu isso sob o governo de Nero.


Não de um governante cristão.Não de um homem justo.


Nero seria responsável pela perseguição de inúmeros cristãos.


Mesmo assim, a ordem continua sendo orar por ele.


O cristão deve honrar as autoridades, pagar tributos, obedecer às leis legítimas e submeter-se ao governo.

“Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”Mateus 22:21

Isso significa que sonegação fiscal, fraude contábil, falsificação de documentos, omissão de receitas, mentiras em declarações tributárias e qualquer tentativa de enganar o Estado constituem pecados.


Muitos condenam a corrupção dos políticos enquanto praticam pequenas corrupções diariamente.

Mas Deus não mede pecados pelo tamanho.


A mentira continua sendo mentira.O furto continua sendo furto.O engano continua sendo engano.

A incredulidade ou impiedade do governante não anula sua autoridade legítima.


Enquanto suas ordens não exigirem desobediência a Deus, devem ser obedecidas.


Foi assim que os primeiros cristãos viveram.


Foi assim que a Igreja atravessou impérios.


E continua sendo assim hoje.


Acima de todos os governos existe um Rei

Porque, acima de presidentes, governadores, juízes, reis, parlamentos, tribunais e nações, existe um único Rei soberano:


o Senhor Jesus Cristo.


E todos os governos da terra, quer reconheçam isso ou não, governam apenas enquanto Ele permitir.

“O seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído.”Daniel 7:14

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