Missão impossível! O que não me contaram sobre missões.
- Tor Torres

- há 1 dia
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Como não confundir missão cristã com uma ONG
Caro leitor, se você espera um tratado teológico sobre missões nesse artigo, sinto te decepcionar, você não o terá.
Esse artigo servirá para você que quer entender como dar os primeiros passos a fazer missões de maneira bíblica, sem se preocupar se você tem condições financeiras suficientes para isso, ou se possui conhecimento acadêmico para fazer parte do campo missionário. Se esse é o seu caso, seja bem-vindo.
Vou tentar apontar os problemas de como me ensinaram o que era missão cristã, porque isso é um problema, e como hoje sou um missionário de fato na obra de Deus.
Minha história começa nascendo dentro de uma instituição chamada Congregação Cristã no Brasil, sendo eu já a terceira geração dentro dessa denominação. E esse artigo carrega o nome do que, para mim, é, alguém criado e doutrinado com uma mentalidade fechada, mudar completamente sua visão sobre o tema. Uma Missão Impossível (claro que aqui é uma hipérbole, pois para Deus nada é impossível, e eu sou prova do milagre).
Dentro do contexto religioso, aprendi que “fazer missão” era ajuntar alguns irmãos “guiados por Deus” para viajar para algum lugar (de preferência longe) onde tinham necessidades financeiras, para levar roupas, cestas básicas, instrumentos musicais (de baixo custo), e até mesmo construir templos da denominação, levando materiais de construção e mão-de-obra para aquele lugar. Os lugares preferidos pelos paulistas são o Maranhão, Norte de Minas Gerais e Bahia.
Aqui posso tocar já no primeiro grande problema da visão da cultura entre os membros da CCB, que é restringir a missão ao vínculo institucional.
Para que uma pessoa seja beneficiada por essas ações, ela deve pertencer a CCB e não deve ter “pecado de morte” ou coisa parecida. Caso contrário terá que acontecer algum tipo de sentimento extra ali entre os líderes para que essa pessoa seja atendida de alguma forma. A parábola do Bom Samaritano (Lc 10:25-37), quebra justamente a lógica de "quem é o meu próximo". O próximo não é definido por onde ele congrega, mas pela necessidade.
O segundo problema dentro da cultura da CCB sobre fazer missões é esperar "sentir" para agir. Eles nos ensinaram a vida toda a ideia de que precisamos de um sentimento especial, um arrepio, um coração acelerado, uma profecia ou coisa do tipo. Esse tipo de ensino transforma a obediência em misticismo. Por reduzirem “missão” só à questão humanitária, desprezam o imperativo de Jesus Cristo em Mateus 28 (a grande comissão). “Vão e façam discípulos” é uma ordem a nós (discípulos) para fazer missão pregando o evangelho e fazendo novos discípulos, ou seja, não é opcional, é nosso serviço, e isso não está condicionado à emoção. Devemos amar o próximo porque Ele nos amou primeiro como prescrito em 1 Joao 4.19, vemos que a nossa obediência a Deus deve preceder a qualquer tipo de sentimento.
O terceiro problema (e aqui foi um ponto de virada na minha vida, e você deve prestar muita atenção nesse ponto) é reduzir missão somente a ação humanitária e a construção de templos.
Ação humanitária é ótima e bíblica, afinal temos o dever de dar de comer ao faminto, vestir o nu (Mt 25:35-36). Mas missão cristã no sentido bíblico deve ser integral, pois envolve pelo menos três frentes: a diaconal (suprir necessidades materiais), a evangelística (anunciar o Evangelho) e a de discipulado (acolher, ensinar, educar e caminhar junto – Mateus 28:20). Quando você separa a ajuda material do anúncio de Jesus Cristo, você tem uma ONG e não uma missão. E quando você anuncia Jesus Cristo sem se importar com a fome do outro, você tem um discurso vazio, o que lá em Tiago 2:16 é chamado de fé morta, pois ela não tem ação nenhuma, sem obras. Então a missão bíblica une as duas coisas.
Alguém pode me dizer sobre uma tal “missão resgate” ou “projeto resgate” que a CCB criou recentemente, mas esse será um tema para quem sabe outro artigo (já estou me convidando, rsrsrs). Aí poderemos descrever com mais detalhes do que realmente se trata esse projeto.
Levei anos para entender que eu não precisava esperar um chamado extraordinário ou uma viagem para "fazer missão". A missão não era algo que eu fazia ocasionalmente, e sim algo que eu deveria fazer o tempo todo.
Charles Spurgeon foi bem radical ao dizer que: "Todo cristão é um missionário ou um impostor." Mas o fato é que se fomos alcançados pela graça, se recebemos o mandamento claro de fazer discípulos (mencionado acima), se entendemos que o Evangelho é a maior notícia que o mundo pode ouvir, então não há como nós sermos indiferentes e neutros quanto a isso. Ou estamos vivendo como missionários, ou estamos vivendo como se o Evangelho não fosse tão importante e tão urgente assim.
Então “bora” colocar o passaporte em dia e cruzar o oceano para pregar o evangelho do outro lado do mundo? Não necessariamente. A todo momento estamos fazendo missão, seja na forma como falamos, na forma como tratamos as pessoas, na forma como reagimos às dificuldades, na forma como apontamos ou deixamos de apontar para Cristo.
Quando você entende isso você não vai esperar um tipo de sentimento para fazer a missão. Não vai achar que missão é apenas encher um caminhão e mandar para outro estado. Vai entender que missão é o modo normal e natural de vida cristã.
Caro leitor, quero te encorajar a fazer missões ainda hoje da seguinte forma: comece transformando o próprio ambiente em que você está. A missão começa com quem está ao seu redor, nas situações comuns que Deus coloca diante de você todos os dias.
Cumpra o papel de missionário vivendo o Evangelho com integridade na sua família, escola ou ambiente de trabalho. Antes de falar sobre Cristo, a sua vida precisa refletir Cristo, pois o mundo está só olhando esse tipo de pregação.
Esteja disponível para ajudar e ouvir o próximo (te confesso que esse é o mais difícil). Nem toda missão começa com um sermão expositivo numa praça, as vezes começará com um café, escutando aquele irmão que manda uns áudios longos no WhatsApp, com a disposição de carregar junto o peso que alguém não consegue carregar sozinho. Nessas horas lembrem do ensino de Gálatas 6.2: Levem os fardos uns dos outros e assim cumpram a lei de Cristo.
Não esconda a esperança que há em você. Pedro nos instrui: Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que pedir a razão da esperança que há em vocês. Contudo, façam isso com mansidão e respeito (1 Pedro 3:15).
Mas não basta evangelizar, é preciso caminhar junto, discipulando (lembro até hoje quando ouvi essa palavra pela primeira vez e queimou o meu coração de alegria). Depois de evangelizar, você deve ensinar e acompanhar, ajudar o novo crente a crescer na fé, pois uma missão sem discipulado pode produzir conversões superficiais. Jesus é o nosso maior exemplo de discipulador, pois não apenas chamou os doze, Ele viveu com eles, ensinou, corrigiu e deixou eles preparados para continuar a obra.
Quer se aprofundar mais sobre isso? Vale investir tempo em boas leituras sobre missão, evangelismo e discipulado. Vou deixar três links de livros sobre esses temas.
O primeiro do Reverendo Misael Batista do Nascimento, a qual tem sido uma “pancada” na minha vida (impactante e transformadora).
O segundo do Pastor norte-americano John Macarthur, que dispensa apresentações.
E o terceiro, não menos importante (muito pelo contrário), um livro que conta com dois autores norte-americanos com grande bagagem em missões e implantações de igrejas, Ed Stetzer e David Putman
Todos esses livros que indiquei fazem parte da minha biblioteca pessoal, não são obras que somente ouvi falar, mas as consumi e depois desse artigo vou revisita-las com certeza.
Vou deixar aqui também os cursos on-line gratuitos sobre o tema. Acessando esse link do Centro de Treinamento da APECOM você terá acesso a 25 cursos de alto nível, que com certeza farão a diferença na sua vida.
Seja bem-vindo a missão. E lembre-se: “Missão dada, missão cumprida”
Sobre o autor: Tor Torres – Sou um pecador salvo pela graça, servo de Jesus Cristo, esposo da Thaísa, pai da Ysabella, publicitário e sirvo a Deus na IPB de São José do Rio Preto-SP. Gosto de ouvir clássicos do Rock e sertanejo raiz. Gosto de ver jogos do Bayern de Munique, do Flamengo e de sofrer com o NY Giants.
Instagram: https://www.instagram.com/tortorres.pg/




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