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Fé e Arrependimento: O Evangelho que a CCB Nunca Pregou

  • Foto do escritor: Thiago Alencar
    Thiago Alencar
  • 9 de nov. de 2025
  • 5 min de leitura

O que é a Fé Salvadora?

Pensamento positivo de que algo dará certo? Que as portas se abrirão? Acreditar que meu chefe será demitido para eu entrar no lugar dele? NÃO.

Mas era exatamente isso que eu pregava e ouvia durante toda a minha experiência na CCB. Diante dos pregadores mais famosos e dos mais simples, em meio a inúmeros testemunhos, eu pensava que fé era crer que tudo o que eu desejava iria acontecer e que, se não aconteceu, foi porque “faltou fé”, esse é o jargão utilizado.

Porém, a fé bíblica é uma realidade muito mais profunda, enraizada na verdade do Evangelho e na obra de Cristo. É impossível compreender o que é fé salvadora sem compreender também o que é arrependimento genuíno, pois ambos são inseparáveis na conversão verdadeira.


1. A FÉ VERDADEIRA SEGUNDO A BÍBLIA


Fé não é um esforço mental para acreditar em algo, nem uma energia espiritual capaz de “atrair bênçãos”.

A fé salvadora — πίστις (pistis), no grego — significa confiança, entrega e fidelidade. Não se trata apenas de aceitar fatos sobre Deus, mas de confiar pessoalmente em Cristo e descansar inteiramente em Sua obra redentora. É reconhecer que Ele é suficiente para nos reconciliar com Deus e nos conduzir à vida eterna. Não é acreditar que tudo acontecerá conforme o nosso desejo, mas descansar na fidelidade e nas promessas de Deus reveladas em Sua Palavra.


A Escritura afirma:

“Assim, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela palavra de Cristo.”(Romanos 10:17 – NAA)

A fé genuína, portanto, nasce do Evangelho. É quando o pecador ouve a mensagem da cruz que o Espírito Santo opera em seu coração, iluminando o entendimento e despertando a confiança em Cristo. Assim, a fé não surge do homem, mas é um dom de Deus (Efésios 2:8). Nenhum raciocínio humano ou esforço emocional pode produzi-la; ela é resultado direto da ação divina no coração regenerado.

É nesse sentido que a fé é, de fato, algo místico, não no sentido de superstição ou emoção, mas porque é uma obra sobrenatural do Espírito Santo. Nela, o Espírito une o pecador a Cristo, de modo que ele passa a viver pela confiança no Filho de Deus. Esse é o verdadeiro misticismo cristão: a comunhão espiritual e viva entre o crente e o Salvador.

Na CCB, porém, a fé é muitas vezes tratada como uma esperança supersticiosa, baseada em revelações humanas, sensações emocionais ou experiências subjetivas. Em vez de se apoiar na Palavra de Deus, muitos aprendem a esperar em profecias e revelações vindas de homens, confundindo fé com otimismo religioso. Assim, vivem uma religiosidade sem evangelho, em que crer significa apenas esperar que as coisas deem certo, e não confiar pessoalmente em Cristo crucificado e ressurreto.

Com frequência, é pregado na CCB o capítulo 11 de Hebreus, exaltando os homens e mulheres da fé como se fossem pessoas extraordinárias, dotadas de uma capacidade própria de acreditar. O foco recai sobre o poder da fé humana, e não sobre o objeto da fé, que é Cristo.

Contudo, o contexto anterior desfaz esse equívoco. O autor de Hebreus declara:

“Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não irá demorar;mas o meu justo viverá pela fé; e, se retroceder, dele a minha alma não se agradará.”(Hebreus 10:37–38 – NAA)

A fé de Hebreus 11, portanto, não é uma força interior para conquistar bênçãos, mas uma confiança no Messias prometido, Jesus Cristo, que veio em cumprimento dessa promessa.

Os heróis da fé creram naquele que haveria de vir; nós cremos naquele que veio e voltará.A fé verdadeira não busca poder, mas comunhão; não busca resultados, mas redenção.É o elo invisível que liga o pecador perdoado ao Salvador glorificado.


2. O ARREPENDIMENTO GENUÍNO


O arrependimento é o outro lado da moeda da fé. Não há fé verdadeira sem arrependimento verdadeiro.A Bíblia ensina que arrependimento é uma mudança profunda de mente e coração diante de Deus, um afastar-se do pecado com tristeza sincera e voltar-se para Cristo em obediência.

Martyn Lloyd-Jones descreve o arrependimento como “a porta para o Reino”. Ele afirma que não há entrada para o Reino de Deus sem arrependimento, pois este é o primeiro passo da alma que reconhece seu estado de miséria diante de um Deus santo. Arrependimento não é apenas remorso ou emoção; é o fruto de um coração transformado pelo Espírito Santo.


O falso arrependimento na CCB


Na CCB, a prática do batismo é bem diferente do ensino bíblico. Muitos são batizados por medo, emoção ou empolgação, acreditando que seus pecados ficam nas águas. Como não se prega o Evangelho, as pessoas não são confrontadas com sua condição de pecadoras e, portanto, não se arrependem verdadeiramente.

É senso comum na CCB que os pecados ficam nas águas após o batismo. Por isso, acreditam que não pecam mais, exceto quando cometem o chamado “pecado de morte”. Dessa forma, deixam de reconhecer como pecado a mentira, o orgulho, a maledicência, a cobiça ou os pensamentos impuros, classificando tudo isso apenas como “faltas” ou “fraquezas”.

Mas o verdadeiro arrependimento, ensina a Escritura, é contínuo. É reconhecer diariamente o pecado e voltar-se para Cristo em humildade. O arrependido não confia em suas obras nem em um rito, mas na graça redentora do Evangelho.


3. A UNIÃO ENTRE FÉ E ARREPENDIMENTO


Fé e arrependimento não são duas obras separadas, mas duas dimensões de uma mesma conversão. Aquele que crê verdadeiramente também se arrepende verdadeiramente.

A fé olha para Cristo; o arrependimento olha para o pecado. A fé se volta para a cruz; o arrependimento se afasta da prática pecaminosa. Ambos são dons da graça de Deus (Atos 11:18; Efésios 2:8).

Martyn Lloyd-Jones enfatiza que o arrependimento é o caminho para o perdão, e que somente quem se humilha diante de Deus é levantado pela fé. Ele escreve:

“O arrependimento não é um preço pago pela salvação, mas a evidência de que o Espírito Santo já começou a operar no coração.”

Portanto, a verdadeira fé e o verdadeiro arrependimento nascem do mesmo ato do Espírito: um coração quebrantado, reconhecendo suas misérias, que abandona a confiança em si mesmo e se lança totalmente sobre Cristo.


4. CONCLUSÃO: A PORTA PARA O REINO


O Reino de Deus não se abre por emoções religiosas, tradições humanas ou pela obediência a normas e costumes, mas por meio da fé e do arrependimento.Sem a pregação do Evangelho, não há fé; e sem fé, não há arrependimento verdadeiro.

A CCB, ao afastar-se da centralidade da cruz, conduz muitos a uma ilusão de espiritualidade, um sistema em que o homem confia em experiências e não no sangue de Cristo.

Jesus declarou:

“O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo; arrependam-se e creiam no evangelho.”(Marcos 1:15 – NAA)

Esta é a mensagem que transforma: arrependimento e fé em Cristo.O verdadeiro cristianismo não é doutrina e preceitos de homens e emocionalismo vazio, mas transformação pelo Evangelho de Cristo.Quem crê e se arrepende encontra perdão, paz e nova vida em Cristo e essa é a verdadeira porta para o Reino.


Referências


Bíblia Sagrada, Nova Almeida Atualizada (NAA).


Confissão de Fé Batista de 1689, Capítulo 14 – Da Fé Salvadora.


Martyn Lloyd-Jones, Arrependimento: A Porta para o Reino.


GRUDEM, Teologia Sistemática: Completa e Atual, 2022

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