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Marcos Valério – Cooperador de Jovens – Afonso Pena – Rondônia/RO - Carta de RENÚNCIA ao ministério da CCB

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    ESM - Evangelho Sem Muros
  • há 2 dias
  • 7 min de leitura

Querida irmandade da Congregação Cristã no Brasil, a Paz de Deus!

 

Venho através desta carta declarar a minha renúncia ao Ministério de Cooperador de Jovens e Menores na congregação do Afonso Pena, Nossa Senhora das Graças, Porto Velho-Rondônia e o desligamento de mim e de minha família da Congregação Cristã no Brasil.


Como as cartas de renúncia nunca são lidas para a irmandade e a verdade sempre deixa de ser exposta, aproveito a oportunidade da exigência estatutária deste documento para expor os motivos pelo qual, depois de 38 anos congregando, tomamos a decisão, eu e minha família, de deixarmos a CCB.

 

Vou procurar ser o mais breve possível, já deixando à disposição minha casa e o meu contato para quaisquer esclarecimentos. Antes de mais nada, gostaria de deixar bem claro que o motivo da minha saída não tem qualquer ligação com problemas conjugais ou pecados de natureza sexual, comumente chamados de pecado de morte na CCB e sempre apontados como prováveis motivos da saída de alguém. Também não tenho nenhum desafeto com os irmãos, Amo a todos, em especial as crianças e a mocidade. Tem sido muito difícil para mim deixá-los.


Minha jornada na CCB se iniciou aos 7 anos de idade, quando minha mãe, que hoje é da obra da piedade, começou a congregar ainda no Rio de Janeiro. Era uma salinha de oração e uma garagem onde eu fui, aos 11 anos, o primeiro auxiliar de jovens da localidade. Logo comecei a estudar a música e, aos 14 anos de idade, fui oficializado como músico em janeiro de 1992. Na mesma semana, fui apresentado para instrutor de música, cerca de 7 anos depois para encarregado de orquestra e, pouco depois, cooperador de jovens e menores, ministério que ocupei até a presente data, mesmo mudando de cidade.


Uma das doutrinas sempre pregadas na CCB e que me faziam pertencer a ela, era o fato de ter aprendido que a CCB era a graça e que quem não estava nela não era salvo e não eram considerados nossos irmãos. Aprendi desde cedo que as outras denominações eram seitas, seus membros seitários, e me sentia aliviado por pertencer a “esta graça” e poderia ter a vida eterna, se fosse fiel até o fim.


Outra doutrina que sempre aprendi é a de que o estudo da Bíblia era feito apenas por seitários, pois, como nós éramos “a graça”, não necessitávamos estudar as escrituras e que a palavra, (pregada na igreja, não a Bíblia) era revelada na hora para o ministério, sendo este o pão fresquinho que desce do céu.


Tudo isso que eu vi ao longo da juventude foi aos poucos se desmoronando. Primeiro quando passei no concurso da Marinha. Obviamente, na orquestra militar, a maioria pertencia a uma outra denominação, somente eu era da CCB. Conheci homens dedicados nas coisas de Deus e comecei a estranhar o fato de eles não serem salvos, eu sim, pelo simples fato de pertencer à CCB.

Quando fui confirmado para o ministério de cooperador de jovens, e participei da minha primeira reunião de ministério, comecei a ouvir coisas que confrontavam diretamente com tudo que era ensinado ao povo, parecia outra igreja, conselhos como, “cooperador de jovens não tem que levantar com palavra em culto oficial”, “se você não sabe pregar Isaías, prega Salmo 23”, eram dito pelos anciães.

 

Aqui em Porto Velho, em 2021, após uma reunião de auxiliares de jovens, os cooperadores de jovens foram reunidos perante o conselho de anciães e ouvimos palavras como, “se vocês quiserem ser honrados lá na frente, tem que aprender a honrar agora, quando um ancião estiver presente, não levante com palavra, se Deus mostrar a palavra, não tendo ancião presente, (dá uma segurada)”. Tudo isso confrontava diretamente com o princípio de palavra revelada de que foi ensinado desde a infância. Como cooperador de jovens, por ter a responsabilidade de ensinar crianças e jovens, iniciei a leitura modesta das escrituras, eram leituras lineares de Gênesis a Apocalipse, que fiz cerca de oito vezes ao longo da vida.

 

Apesar disso, não entendia ou nunca havia ouvido falar de conceitos como justificação, santificação, predestinação, dentre outros. Na verdade, eu achava até que era predestinado justamente por estar na CCB, “a graça de Deus”. Porém, em 2020, com a pandemia e o aparecimento dos cultos online, tudo mudou.

 

Primeiro percebi que a palavra pregada em São Paulo era completamente diferente de tudo que ouvia no Rio de Janeiro e em Rondônia. Parecia outra igreja. Depois, em 2022, os tópicos que hoje parecem que estão escondidos por serem poucos divulgados da irmandade e que traziam temas como justificação, salvação pela graça e o fato de a CCB não ser a única igreja que salva, aguçaram a minha curiosidade e passei a realizar estudos estruturados e temáticos sobre as escrituras.

 

Percebi que o Deus das escrituras parecia ser outro daquele pregado na CCB, um Deus santo, mas que se ira todos os dias, (salmo 7, 11). Um Deus justo, mas que deixou de aplicar sua justiça em nós para fazê-lo em seu próprio Filho na cruz, (Isaías 53, 5). E principalmente, um Deus que me escolheu não por eu pertencer à CCB ou pelas minhas boas obras, (Romanos 11, 6), mas porque me conheceu desde a eternidade, quando fui eleito e predestinado para a salvação, segundo a eleição da sua graça, (Romanos 8, 30). Ensinei tudo isso para a mocidade.

 

Eles ouviram que a salvação é pela fé, que a CCB não é a graça, que o sacrifício da cruz é suficiente para salvar. Ouviram o verdadeiro significado do arrependimento para a vida, a natureza caída do homem, o que realmente é o selo da promessa, as verdades sobre o batismo, além de muitos outros assuntos que permaneço à disposição de toda a Irmandade para esclarecer e mostrar como as verdades que nos foram ocultadas todos esses anos, principalmente pela falta de incentivo à Irmandade da leitura aprofundada das escrituras, meditar e estudar nas sagradas letras.


Agora em 2023, na última RGE, precisamente falando do tópico 7 sobre o tema, a salvação não é pela via única do conhecimento, o ministério foi orientado pelos anciães mais velhos que o conhecimento teológico não proporciona pela via única do saber a transformação espiritual necessária para viver conforme o Senhor requer.

 

A expressão via única, embora equivocada, pois não existe outra via para a salvação senão a eleição de Deus, (2 Tessalonicenses 2.13), me motivou a incentivar ainda mais a mocidade e os irmãos que conheço sobre a leitura cuidadosa das escrituras. Porém, ciente da posição da CCB sobre a rejeição ao estudo, sempre utilizei termos como ler, examinar, meditar, etc., orando para que assim possa nascer na igreja o desejo pelas sagradas escrituras e conhecer o que, através dela, Deus revela de si mesmo. Ocorre que, recentemente, ao marcar uma visita na casa de uma família com a intenção de cantar hinos e “falar das escrituras”, assunto que deveria ser o principal em um ajuntamento cristão, ao convidar a irmandade para estar em sua casa, a irmã acabou utilizando o termo “”.

 

Essa palavra motivou, por parte do ancião responsável, uma repreensão direcionada a nós. Dentre outras coisas, foi dito que, “tomem cuidado para não sair fora da palavra”, “a volta do Senhor está muito próxima”. Mesmo com a irmã falando que não se tratava de “estudo”, até porque não tenho competência para isso, o fato foi levado adiante.

 

Não fui consultado a dar esclarecimentos, chegando a pensar que o mal entendido havia sido resolvido pela retratação da irmã, mas fui surpreendido duas vezes: no culto do dia seguinte e na reunião geral de domingo. Eu fui acusado, julgado e condenado por incitar a irmandade a “fazer estudos bíblicos”, e só tomei ciência desse julgamento quando a sentença estava sendo declarada perante todo o ministério da cidade. Foram muito sutis, não citaram o meu nome, nem falaram o motivo daquelas explicações, mas nós sabemos que, no final de tudo, muitos sabem quem são os personagens.

 

Além do mais, aquelas palavras me atingiram como flechas de injustiça, primeiro por ter sido acusado de algo que não fiz, segundo que, mesmo que tivesse feito, não estaria afrontando as escrituras ou saindo fora da palavra. Grosso modo, o ministério repudiou severamente o “estudo bíblico”, e para justificar isso, dentre outras coisas, chegaram a afirmar que o apóstolo “Pedro não sabia ler nem escrever”. Irmãos, Pedro escreveu duas epístolas, e em uma delas ele afirma claramente que foi ele mesmo quem escreveu, (2 Pedro 3.1). O apóstolo Paulo, mesmo sabendo que iria ser oferecido por aspersão, ao escrever para Timóteo, pede para que ele traga os livros e, principalmente, os pergaminhos, tamanha sua dedicação e prazer em sempre examinar as escrituras.

 

O próprio Cristo nos orientou a examinar as escrituras, (João 5.39), e examinar é o mesmo que “pesquisar, aprofundar, esminuçar, estudar”. Basta procurar em qualquer dicionário de sinônimos. Por fim, para não ficar somente nisto, passo a listar algumas das outras doutrinas pregadas na CCB que não conferem com as escrituras, seguidas apenas de uma referência bíblica. São apenas exemplos:


1- Salvação por obras, doutrina contrária a Romanos 4.4;

2- A CCB é a graça, contrária a Mateus 11.27. Nesse caso específico, recentemente foi dito por um dos anciães que quem sai da CCB está apostatando, ou seja, afastamento da fé.

3- A CCB é o caminho, contrária a João 14.6. Nesse caso específico, outro ancião alegou que a CCB é o caminho, a verdade e a vida.

4- O selo da promessa é o dom de línguas, contrário a Efésios 1.14.

5- Após o batismo devemos lutar para a manutenção da nossa salvação, contrário a João 17.12.

6- Apenas pensar em pecado não é pecado, contrário a Mateus 15.19.

Irmãos, volto a dizer que não tenho nada contra ninguém, amo a todos. Porém, não posso permanecer em uma denominação que, além de pregar outro evangelho, ainda orienta seus membros a não examinar e estudar as escrituras. Única referência e autoridade suficiente do saber da nossa fé em Cristo.

 

Esclareço que não estou saindo da igreja, pois a igreja não é uma instituição, mas pessoas, membros do corpo de Cristo. Mas também não ficarei sem congregar em nenhum lugar, pois pela graça de Deus encontrei uma igreja bíblica em Porto Velho, onde a partir do próximo domingo passarei a congregar com aquela irmandade.

 

Graça e paz vos sejam multiplicadas pelo conhecimento de Deus e de Jesus Cristo nosso Senhor! (2 Pedro 1.2 ).

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